A
. .)
ESPÍRITO PARÁCLITO
Queimam-me Língua de Fogo!
Sopra depois sobre as achas incendiadas
e espalha-as pelo mundo
para que a tua chama se propague!
Transforma-me em tuas brasas
para que eu queime também como tu queimas,
para que eu marque também como tu marcas!
Esfacela-me com tua tempestade,
Espírito violento e dulcíssimo,
e recompõe-me quando quiseres,
e cega-me para que os prodígios de Deus se realizem,
e ilumina-me para que tua glória se irradie!
Espírito, tu que és a boca de todas as sentenças,
toca-me para que os meus irmãos desconhecidos e
[longínquos e estranhos,
compreendam a minha fala para todos os ouvidos que criares!
Exceder-me-ei em meus limites,
crescerei em todas as distâncias,
serei a palavra transcendente, a profecia, a revelação
[e as realidades!
Devora-me, renova-me, ressurge-me em tua vontade criadora
diante da morte e diante do nada!
Aguça a minha intuição,
descansa em minhas pupilas,
agita a minha lentidão,
faze-me numeroso como tu,
cobre todo o meu corpo de pálpebras que espreitem todas [as latitudes e longitudes
e expectativas e anunciações e partos e concepções
e gerações e séculos de séculos!
Ressurgirei de todos os ventres
e voarei no sentido da perpetuidade sobre as águas e sobre as terras!
Desata-me Espírito Paráclito! Corta os meus laços,
sopra a terra que há sobre a minha sepultura!
Enche-me de tua verdade e sagra-me teu moderno apóstolo!
Amo como poeta a forma com que te apresentaste
à assembleia do Cenáculo!
E sinto a tua presença,
a tua aproximação, a tua unção sobre a minha alma!
Dá-me tua fecundidade sobrenatural,
tua heroicidade e tua luz!
Unge-me teu sacerdote,
teu soldado, teu vinho, teu pão,
tua semente, tuas perspectivas!
Espírito Paráclito, dedo da direita do Pai,
soergue as minhas pálpebras descidas e sopra sobre
[elas o teu hálito e tua essência!
Espírito Paráclito, amo-te, com os meus cinco sentidos,
com a minha imaginação,
com a minha memória e com os outros dons poéticos
[e proféticos e reconstituidores
que ultrapassam minha espessa matéria e meu espírito
[translúcido!
Sou teu ramo de oliveira que trazes dos dilúvios
[constantes da humanidade
e cujo óleo ungirá os meus iguais e os desiguais do meu
[tamanho!
Espírito Paráclito, tu que és o único pássaro que desce
[sobre mim na minha noite untuosa,
fura os meus olhos para que eu veja mais,
para que eu penetre a unidade que tu és,
a liberdade que tu és,
a multiplicidade que tu és,
para eu subir da minha pequenez e me abater em ti!
JORGE DE LIMA
A Túnica Inconsútil. Obra Poética
Quem rega com amor não morre.
Rebentam flores.
Os frutos esplendem.
Rompe a semente
tecido vivo.
Quem rega com amor não morre.
Conhece o início
e os fins do tempo.
Quem rega com amor não morre.
Adianta-se à terra
e serve.
Ruy Cinatti
Guerreiro do Fim
(poema nascido para O Bar do Ossian)
Fecundou-se o mito,
Horizontes de nevoeiro.
Clama a alma num grito
O regresso do amor
Que venha ou não de espada,
Mas que seja guerreiro
Da santa guerra lavrada
Dor entre o não e o sim.
Mas será D. Sebastião
Ou Viriato do fim?
Eduardo Aroso
Viseu, 3-10-09
Centro Rosacruz Max Heindel
Bem-aventurados os injustiçados revoltados que, caindo no chão, farão com que alguns neles tropecem e exclamem:
Aqui há gente!
Non nobis, Domine, non nobis, sed nomini Tuo da gloriam
(Salmos 115:1)
(Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao Vosso nome dai a glória)
FLOR DA VIDA
Se levas na mão a tua rosa branca,
No mar da vida ela é o teu farol.
Rosa é pão, abundância tanta,
E nascendo da rosa o pão é sol.
Eduardo Aroso
(Maio de 2009)
“O lugar onde se não morre está por toda a parte, por toda a parte onde haja homens que, pensando e imaginando, desceram tão profundamente dentro de si próprios que tocaram aquele ponto do espírito para o qual convergem por infinitos raios as várias esferas que definem a actividade dos outros homens”.
Agostinho da Silva
FESTA DA VIDA!
Apanhada de surpresa
Foi a morte na corrida.
Não podia durar mais
Onde existe sempre a Vida!
Vencia a morte nas trevas
Durante séculos e milénios.
Mas desde que Cristo veio
Ela não ganha mais prémios…
Falsa era ela para nós
Vulto negro e medonho;
Aqui e além-túmulo,
Fantasma dos nossos sonhos!
Cristo deu-nos a espada,
A do poder mais benigno.
Vencer o mundo é cá dentro
O nosso maior inimigo.
Assim é o nosso Salvador,
A Luz que é verdadeira.
A Graça acima da justiça,
Façamos nós a sementeira!
Eduardo Aroso
Páscoa de 2009
LAVA-PÉS
«…O que Eu estou a fazer tu não o entendes
por agora, mas hás-de compreendê-lo depois.»
João, 13:7
Pois que o Senhor assim o disse,
Lavemos os pés uns aos outros.
Para que melhor amasse e servisse,
Curvou-se humildemente pouco a pouco.
Em baixo há o encontro ideal,
A raiz, caminho de vitória.
Na paz que atravessa o umbral
E leva à coroa de glória.
A ceia tão apetecida
Marca o gesto, ilumina a hora.
Mas quando a noite arrefece
O desejo é de ir embora.
Alguém vigia e permanece.
Mas como lavar hoje, Senhor,
Os pés na água que não nasce
Da tua fonte limpa do Amor?!
Eduardo Aroso
Quaresma, 2009
NATAL DO ANO 2008 DEPOIS DE CRISTO
«Amai-vos uns aos outros,
assim como eu vos amei».
Mas vede que irmãos contra irmãos
Apontam armas certeiras de morte,
Seres, crostas rijas da evolução,
Recusando a estrela que os conforte,
Luz bendita que leva à redenção
A que nasceu um dia em Belém,
Iluminando o espaço, marcando o tempo,
Luz do mais alto, para mais além…
«Amai-vos uns aos outros,
assim como eu vos amei».
Uma Era inteira assim se passa
De povos vivendo só dentro da lei.
Oh, tristes irmãos ainda na desgraça,
Alheios à boa-nova com seus clarões,
Surdos ao Verbo amoroso da mudança
Que não escutais dentro dos corações
A carinhosa melodia da esperança!
E Deus assiste, nem alegre nem triste.
Poder Maior todo esplendoroso,
De misericórdia sem limites.
Pai santo e amoroso
Na certeza sem igual,
Esperando sem tempo
Pelos filhos pródigos,
O cósmico Natal,
Dia ainda imprevisto,
Para regressarmos todos
Em nuvens de luz
Pela mão de Cristo!
Eduardo Aroso
Natal de 2008